Audiência de Custódia: Como Funciona e Qual a Importância do Advogado Criminalista?

Frank Bez Fontana da Silva · 24 de setembro de 2026 · Audiência de Custódia

Existe um momento, logo após uma prisão, em que tudo muda.

Em poucas horas, uma pessoa perde a liberdade, é afastada da família, deixa para trás o trabalho, seus filhos e sua rotina. De repente, passa a depender de decisões tomadas dentro de um sistema que, para a maioria das pessoas, é completamente desconhecido.

É nesse momento que acontece a audiência de custódia.

E, na minha visão, poucas etapas do processo criminal são tão importantes e, ao mesmo tempo, tão subestimadas.

A audiência de custódia não é apenas um procedimento obrigatório. Não deveria ser tratada como uma etapa burocrática entre a prisão e o processo. É o primeiro grande momento em que o Estado precisa justificar por que está restringindo a liberdade de alguém.

E é também o momento em que a defesa precisa estar preparada.

Quando a liberdade está em jogo, não existe espaço para improviso

Costumo dizer que, no Direito Criminal, o tempo tem um peso diferente.

Uma atuação tardia pode significar dias, meses ou até anos de consequências para uma pessoa e sua família.

Por isso, procurar um advogado apenas depois que a situação já se agravou é um erro comum. A defesa criminal precisa começar desde o primeiro momento.

Uma audiência de custódia bem conduzida exige muito mais do que comparecer diante de um juiz e pedir liberdade.

É preciso conhecer a história daquela prisão.

É necessário analisar a legalidade dos atos praticados, compreender as circunstâncias do flagrante, identificar possíveis irregularidades e, principalmente, apresentar ao Poder Judiciário elementos concretos sobre aquela pessoa que acabou de ser presa.

Porque, por trás de um processo, existe uma pessoa.

E por trás de uma prisão, quase sempre existe uma família inteira esperando uma resposta.

A defesa não pode ser apenas uma formalidade

Um advogado presente em uma audiência de custódia não deve ocupar um espaço meramente protocolar.

Defender alguém exige preparo.

Exige estudo.

Exige estratégia.

Exige coragem para questionar quando direitos são violados.

A defesa técnica existe para impedir decisões automáticas e garantir que a prisão seja realmente necessária, e não simplesmente consequência da acusação.

Prisão em flagrante não significa condenação.

Investigação não significa culpa.

E acusação não pode significar, automaticamente, perda da liberdade.

Esses princípios parecem simples quando escritos, mas precisam ser defendidos diariamente na prática.

A audiência de custódia é o primeiro freio ao poder do Estado

O Estado possui o poder de investigar, prender e acusar.

Mas esse poder não é absoluto.

A audiência de custódia representa justamente um dos mecanismos criados para impedir que a restrição da liberdade aconteça sem controle, sem fundamento ou sem respeito às garantias fundamentais.

É nesse momento que se analisa a legalidade da prisão e a real necessidade de manter alguém encarcerado.

E é justamente por isso que a atuação defensiva faz diferença.

Não se trata de defender crimes.

Trata-se de defender direitos.

Não se trata de impedir a Justiça.

Trata-se de garantir que a Justiça seja feita dentro da lei.

Essa diferença precisa ser compreendida.

Cada caso é único. Cada liberdade também.

Uma das maiores injustiças que podem acontecer no sistema criminal é tratar pessoas e situações diferentes como se fossem iguais.

Processos possuem números.

Pessoas possuem histórias.

Por isso, uma defesa séria não trabalha com fórmulas prontas.

É necessário compreender quem é aquela pessoa, quais são suas circunstâncias, sua realidade familiar, profissional e social.

Em determinados casos, a prisão pode ser necessária.

Em outros, medidas cautelares podem ser suficientes.

E é justamente a análise individualizada que impede que a prisão cautelar se transforme em uma antecipação de pena.

Minha convicção como advogado criminalista

Ao longo da minha atuação na advocacia criminal, uma certeza se fortaleceu: os primeiros momentos de uma prisão nunca devem ser subestimados.

É justamente quando a pessoa está mais vulnerável que uma defesa técnica se torna mais necessária.

A audiência de custódia pode durar pouco tempo.

Mas seus efeitos podem acompanhar alguém por meses ou anos.

Por isso, acredito que o advogado criminalista precisa estar preparado para atuar desde o primeiro contato, conhecendo os fatos, conversando com a família, analisando a prisão e construindo uma defesa real — não apenas cumprindo uma formalidade processual.

Quando a liberdade de alguém está em jogo, não existe espaço para improviso.

Existe responsabilidade.

Existe técnica.

Existe estratégia.

E existe um compromisso inegociável com a Constituição e com o direito de defesa.

Porque, no final, a defesa criminal não começa quando o processo chega ao fim.

Ela começa no primeiro momento em que alguém percebe que sua liberdade pode ser perdida.

Autor: Dr. Frank Bez Fontana da Silva Advogado Criminalista OAB/SC 53.996

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